quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Dividir para Reinar

O dito “dividir para reinar” é histórico. Foi sempre a tática de imperadores e representa a óbvia intenção de provocar as divergências do inimigo para ocupar o terreno. Os métodos para isso sempre foram os mais torpes possíveis e mexem com as crenças e sentimentos dos povos.
É isso que os Estados Unidos e seus aliados na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) estão promovendo no Oriente Médio no momento. Nos últimos dias, já houve conflitos entre a minoria cristã do Egito com muçulmanos, um conflito há décadas sublimado. Tanto que, para derrubar o regime de Osni Mubarak, eles estavam juntos, há alguns meses.
Não vamos nem falar dos regimes implantados naquela região do mundo nas últimas décadas. Nem na configuração geopolítica atual, que em boa parte reflete os interesses do imperialismo. Mas os povos têm culturas próprias, que precisam ser respeitadas.
Isso vale para a Líbia e a Síria, em especial, onde os conflitos tribais, muitos de cunho religioso, estão sendo reavivados como forma de dominação. Ou seja, a tal “primavera árabe”, ainda bastante confusa, parece estar retomando posturas retrógradas ao invés de promover a democracia e os direitos humanos.
E isto tudo num momento ímpar para o povo palestino, que luta formalmente na Organização das Nações Unidas (ONU) pelo retardado reconhecimento do estado da Palestina. Apesar de pressão das potências imperialistas em favor da posição cada vez mais irredutível de Israel, a perspectiva é de que haja um período de afirmação da identidade palestina.
A firmeza do presidente da Autoridade Palestina, Hahmoud Abbas, ao apresentar esse pleito na ONU e ao defendê-lo mundo afora, chegou a ser surpreendente. Mas ele sabe muito bem que esse é o caminho, se é que a questão deve seguir o rumo da paz.
Na Assembléia Geral da ONU, o pleito palestino será aprovado com certeza, inclusive com o voto do Brasil, já declarado pela presidente Dilma Rousseff. Mas, analistas internacionais apostam que o presidente dos EUA, Barack Obama, que tem poder para isso no Conselho de Segurança da entidade, irá vetar a decisão.
Se assim for, os EUA estarão apoiando as persistentes provocações do atual governo de Israel, que, em vez de recuar, faz mais e mais obras nos territórios ocupados. Áreas, aliás, que hoje são segregadas por enormes muros, que lembram o regime nazista.
É importante realçar que os palestinos não querem o fim estado de Israel. Sua proposta é de que o estado palestino fique nos territórios que eram de cada um antes da famosa Guerra dos Seis Dias, de 1967, quando Israel ocupou a Cisjordânia e das colinas de Golan, onde o patrimônio maior é a água do rio Jordão. A Palestina atual não tem um pingo d’água.
E vale sempre lembrar que a resolução da ONU que criou o estado de Israel, em 1947, criou também o estado da Palestina, mas este nunca foi implantado formalmente.
O fato é que, uma vez mais, as forças imperialistas jogam na divisão para tomar conta dos recursos naturais daquela parte do mundo, rica principalmente em petróleo.

Jaime Sautchuk *
portal vermelho.

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