terça-feira, 18 de outubro de 2011

Real Parque quer UBS com mais médicos

Movimento Popular da Saúde do Real Parque enviou carta aberta à Secretaria Municipal de Saúde com reivindicações


Afonso Ferreira

Especial para o DIÁRIO


Falta de clínicos gerais e demora de até dois meses para agendar uma consulta são as principais reclamações dos pacientes da UBS (Unidade Básica de Saúde) do Real Parque, região do Morumbi. Moradores e integrantes do Movimento Popular de Saúde chegaram a enviar uma carta aberta à Secretaria Municipal da Saúde pedindo mais médicos e melhorias no atendimento e na infraestrutura do local.
A atendente Eli Ferreira da Silva disse que a pediatria e a ginecologia da unidade funcionam bem, mas reclamou da falta de clínicos gerais. "Só temos um médico para todos os pacientes. Para dar conta do atendimento precisamos de, pelo menos, mais dois profissionais", calcula.
O pintor José Adriano Ferreira reprovou o serviço prestado pela UBS, principalmente o agendamento de consultas. "Quem precisa marcar consulta com o clínico geral fica até dois meses esperando para conseguir um horário." A situação é confirmada pela integrante do Movimento Popular de Saúde do Real Parque Vera Lúcia Vieira. Ela diz que além da falta de clínicos, o local e carece de um médico na equipe de ESF (Estratégia da Saúde da Família). "Só temos uma equipe de ESF que atende o paciente em casa. Sem o médico, esse atendimento está sendo feito por uma enfermeira, uma auxiliar e os agentes de saúde."
Segundo ela, a situação da unidade melhorou após o envio da carta aberta à Secretaria da Saúde. "Antes, faltavam remédios e até papel toalha para cobrir as macas. Hoje, isso foi resolvido, mas ainda não é o suficiente", afirmou.
O aposentado Rafael Prechet é diabético e vai constantemente à UBS do Real Parque retirar medicamentos. Ele elogiou o serviço e contou que trata, na unidade, uma dor no ombro que o incomoda há dois anos. "Nos outros hospitais por onde passei, apenas tirei raio-X e fui liberado. Aqui, o médico receitou um remédio que está diminuindo a dor", explicou.
Outra queixa levantada por Vera Lúcia é a falta de ortopedistas na região. "Os pacientes são encaminhados para ortopedistas em hospitais na Santa Cecília, no Centro da cidade. Seria bom termos estes profissionais aqui."
A Secretaria Municipal de Saúde informou em nota que a partir de dezembro a UBS terá mais um clínico. "Por enquanto, o agendamento é feito para 60 dias. Casos de urgência são triados e encaixados no atendimento para não prejudicar o serviço", disse o texto.

Hospitais da FMUSP apresentam problemas

Hospitais da FMUSP apresentam problemas


 Falta de equipe médica e conflito de cargos são reclamações de funcionários nas unidades de saúde administradas pela Medicina


Unidades de saúde sob responsabilidade da Fundação Faculdade de Medicina (FFM), em convênio com a própria Faculdade de Medicina da USP, têm apresentado uma série de problemas administrativos, gerando descontentamento de usuários e funcionários. A Fundação administra o projeto “Região Oeste” que iniciou em 2009 como parte de uma estratégia da prefeitura de São Paulo para agilizar a gestão da saúde pública.
A Secretaria de Saúde contratou diversas entidades privadas como “organização social” para, a partir da terceirização, ter mais facilidade na contratação de médicos e serviços. Em vez de ter que realizar concursos, os funcionários são recrutados via CLT, de forma muito mais rápida. Além da FMUSP, outras faculdades de medicina foram contratadas através de suas fundações. A Unifesp, por exemplo, ficou responsável por unidades localizadas na zona sul. A FFM foi contratada para cuidar de 22 unidades.

No entanto, o modelo tem apresentado diversas falhas. Em carta aberta, integrantes do Movimento Popular de Saúde acusavam a Fundação de deixar as equipes médicas desfalcadas na unidade básica de saúde Real Parque. “Desde setembro, quando o clínico geral pediu demissão, não há nenhum médico por aqui”, afirmou Vera Lucia Vieira, em entrevista ao Jornal do Campus. Na região, a Fundação é responsável por contratar duas equipes do Programa Saúde da Família, especializada no atendimento às comunidades. Uma delas era voltada para o atendimento específico de uma comunidade indígena, composta por 600 pessoas.

Crise de gestão

O pronto-socorro Caetano Virgilio, no Jardim Peri-Peri (Butantan) também apresentou reclamações. Um médico que não quis ser identificado afirmou que, apesar da serunidade estar sob responsabilidade da Fundação, os funcionários da prefeitura continuam trabalhando lá. O problema é que a unidade tem agora dois gestores contratados para a mesma função, mas com empregados por diferentes entidades. Isso significa que a Secretaria de Saúde paga dois salários para o mesmo cargo. O funcionário afirmou que há um certo conflito entre os dois gestores.
No caso, a gestão é de responsabilidade da Fundação. Camila Carreiro, diretora executiva do projeto, afirma que o problema realmente existe, mas que não cabe à Fundação demitir ou dispensar funcionários contratados pela prefeitura. Dessa forma, o “gestor” público deveria ser incorporado à equipe médica ou realocado para uma unidade.
O médico do pronto-socorro também disse que um dos principais problemas foi a falta de transparência no processo de transição. Ele, que é contratado diretamente pela secretaria de saúde, afirma que em nenhum momento, eles tiveram informações concretas sobre o contrato com a Fundação e qual era a função de cada um depois da mudança, que, segundo ele, só foi feita pela metade. Isso porque a Fundação apenas “tapou buracos”, mas não trocou a equipe por completo, o que é problemático, sobretudo porque os médicos contratados pela organização sócia recebem cerca de R$ 7000, enquanto salário-base de um médico contratado pela prefeitura é de R$4500.
Camila afirma que a resistência à administração da Fundação se dá porque, depois da mudança, houve um controle mais rígido de horários e do acesso a medicamentos. Ela explica que, no primeiro ano, os funcionários antigos passam por avaliação e depois de um ano eles podem optar em continuar como parte da equipe médica. A Fundação deve prestar contas à Secretaria a cada nova contratação e só recebe por transação efetivada.
No caso das unidades no Real Parque, o projeto é responsável apenas pela contratação de médicos do programa Saúde da Família (PSF). Márcia Ernani, responsável pelo RH do PSF, afirma que de fato, a unidade ficou desfalcada no final de novembro, quando um dos médicos foi demitido e a outra teve de ser afastada por problemas de saúde. Mas, segundo ela, a Fundação contratou uma médica substituta, que acabou responsável pelas duas equipes.


Fonte..jornal do campus

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Dividir para Reinar

O dito “dividir para reinar” é histórico. Foi sempre a tática de imperadores e representa a óbvia intenção de provocar as divergências do inimigo para ocupar o terreno. Os métodos para isso sempre foram os mais torpes possíveis e mexem com as crenças e sentimentos dos povos.
É isso que os Estados Unidos e seus aliados na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) estão promovendo no Oriente Médio no momento. Nos últimos dias, já houve conflitos entre a minoria cristã do Egito com muçulmanos, um conflito há décadas sublimado. Tanto que, para derrubar o regime de Osni Mubarak, eles estavam juntos, há alguns meses.
Não vamos nem falar dos regimes implantados naquela região do mundo nas últimas décadas. Nem na configuração geopolítica atual, que em boa parte reflete os interesses do imperialismo. Mas os povos têm culturas próprias, que precisam ser respeitadas.
Isso vale para a Líbia e a Síria, em especial, onde os conflitos tribais, muitos de cunho religioso, estão sendo reavivados como forma de dominação. Ou seja, a tal “primavera árabe”, ainda bastante confusa, parece estar retomando posturas retrógradas ao invés de promover a democracia e os direitos humanos.
E isto tudo num momento ímpar para o povo palestino, que luta formalmente na Organização das Nações Unidas (ONU) pelo retardado reconhecimento do estado da Palestina. Apesar de pressão das potências imperialistas em favor da posição cada vez mais irredutível de Israel, a perspectiva é de que haja um período de afirmação da identidade palestina.
A firmeza do presidente da Autoridade Palestina, Hahmoud Abbas, ao apresentar esse pleito na ONU e ao defendê-lo mundo afora, chegou a ser surpreendente. Mas ele sabe muito bem que esse é o caminho, se é que a questão deve seguir o rumo da paz.
Na Assembléia Geral da ONU, o pleito palestino será aprovado com certeza, inclusive com o voto do Brasil, já declarado pela presidente Dilma Rousseff. Mas, analistas internacionais apostam que o presidente dos EUA, Barack Obama, que tem poder para isso no Conselho de Segurança da entidade, irá vetar a decisão.
Se assim for, os EUA estarão apoiando as persistentes provocações do atual governo de Israel, que, em vez de recuar, faz mais e mais obras nos territórios ocupados. Áreas, aliás, que hoje são segregadas por enormes muros, que lembram o regime nazista.
É importante realçar que os palestinos não querem o fim estado de Israel. Sua proposta é de que o estado palestino fique nos territórios que eram de cada um antes da famosa Guerra dos Seis Dias, de 1967, quando Israel ocupou a Cisjordânia e das colinas de Golan, onde o patrimônio maior é a água do rio Jordão. A Palestina atual não tem um pingo d’água.
E vale sempre lembrar que a resolução da ONU que criou o estado de Israel, em 1947, criou também o estado da Palestina, mas este nunca foi implantado formalmente.
O fato é que, uma vez mais, as forças imperialistas jogam na divisão para tomar conta dos recursos naturais daquela parte do mundo, rica principalmente em petróleo.

Jaime Sautchuk *
portal vermelho.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Capital deverá ter campanha de estímulo à cremação

 Lei prevê distribuição gratuita de cartilhas sobre o tema em hospitais e necrotérios paulistanos

 O Estado de S.Paulo
CRISTIANE BOMFIM -
 
A Prefeitura de São Paulo quer orientar e incentivar a cremação. O prefeito Gilberto Kassab (PSD) sancionou lei que prevê a edição e a distribuição gratuita de cartilhas sobre o tema em hospitais da rede pública, serviços funerários e necrotérios da cidade. A Lei 15.452 foi publicada ontem no Diário Oficial da Cidade. E também determina a produção de peças publicitárias sobre o assunto que mostrem as vantagens socioambientais na comparação com o sepultamento.
Crematório da Vila Alpina é o único da cidade - Paulo Pinto/AE
Paulo Pinto/AE
Crematório da Vila Alpina é o único da cidade
Em uma cidade com 22 cemitérios públicos, onde são feitos mais de 67 mil sepultamentos por ano e apenas um crematório - o da Vila Alpina, na zona leste -, é natural que se incentive a cremação. Pelo menos essa é a opinião do vereador Jamil Murad (PC do B), autor da nova lei. "No Brasil, apenas 10% dos mortos são cremados, enquanto no Japão, são 100%. Precisamos levar em consideração que São Paulo não tem mais área para construir cemitérios e existe a questão da contaminação do solo", explicou o parlamentar.
Murad afirma ainda que as vagas em cemitérios públicos tendem a ficar cada vez mais escassas. De acordo com a Secretaria Municipal de Serviços, por dia apenas 25 pessoas são cremadas na cidade, ante 185 enterros. Para a secretaria, o motivo é o desconhecimento da população. No entanto, ainda segundo o Serviço Funerário do Município de São Paulo, a demanda por cremações aumentou 100% entre 2000 e 2010.
Família. A decisão pelo sepultamento ou cremação continuará sendo da família. A secretaria não respondeu quando as campanhas de incentivo à cremação começarão. Não informou também quantas vagas há em espaços públicos. No ano passado, em mais da metade dos cemitérios paulistanos já não havia mais vagas. Na capital, são 238.785 túmulos. "Acredito que as medidas para esclarecer a sociedade sobre a cremação já comecem a ser tomadas neste ano. Existe muito preconceito", disse Murad. A lei ainda precisa ser regulamentada.

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