domingo, 28 de agosto de 2011

“Evitar que os cidadãos pensem é uma tarefa permanente da mídia”

O MUNDO À BEIRA DO CAOS

por Miguel Urbano Rodrigues
25 de agosto de 2011 às 12:23

A crise do capitalismo é tão profunda que até os líderes dos EUA e da União Europeia e os ideólogos do neoliberalismo assumem essa realidade. Estão alarmados por não enxergarem uma solução que possa deter a corrida para o abismo. Esforçam-se sem êxito para que apareça luz no fim do túnel.

Apesar das contradições existentes, os EUA e as grandes potências da União Europeia puseram fim às guerras interimperialistas – como a de 1914-18 e a de 1939-45 – substituindo-as por um imperialismo colectivo, sob a hegemonia norte-americana, que as desloca para países do chamado Terceiro Mundo submetidos ao saque dos seus recursos naturais.
Mas a evolução da conjuntura mundial demonstra também com clareza que a crise do capital não pode ser resolvida no quadro de uma «transnacionalização global», tese defendida por Toni Negri e Hardt no seu polémico livro em que negam o imperialismo tal como o definiu Lenine. Entre os EUA e a União Europeia (e os países emergentes da Ásia e da América Latina) existe um abismo histórico que não foi nem pode ser eliminado em tempo previsível.
A crescente internacionalização da gestão não desemboca automaticamente na globalização da propriedade. O Estado transnacional, a que aspiram uma ONU instrumentalizada, o FMI, o Banco Mundial e a OMC é ainda uma aspiração distante do sistema de poder (*).

O caos em que o mundo está cair ilumina o desespero do capital perante a crise pela qual é responsável.

A ascensão galopante da direita neoliberal ao governo em países da União Europeia ressuscita o fantasma da ascensão do fascismo na Republica de Weimar. A Historia não se repete porem da mesma maneira e é improvável que a extrema-direita se instale no Poder no Velho Mundo. Mas a irracionalidade do assalto à razão é uma realidade.
O jogo do dinheiro nas bolsas é hoje muito mais importante na acumulação de gigantescas fortunas do que a produção. O papel dos «mercados» – eufemismo que designa o funcionamento da engrenagem da especulação nas manobras do capital – tornou-se decisivo no desencadeamento de crises que levam à falência países da União Europeia. Uma simples decisão do gestor de «uma agência de notação» pode desencadear o pânico em vastas áreas do mundo.
O surto de violência em bairros degradados de Londres, Birmingham, Manchester e Liverpool alarma a Inglaterra de Cameron e motiva nas televisões e jornais ditos de referência torrentes de interpretações disparatadas de sociólogos e psicanalistas que falam como porta-vozes da classe dominante.
Em Washington, congressistas influentes manifestam o temor de que, o «fenómeno britânico» alastre aos EUA e, nos guetos das suas grandes cidades, jovens latinos e negros imitem os das minorias da Grã Bretanha, estimulados por mensagens e apelos no Twitter e no Facebook.

Mas enquanto a pobreza e a miséria aumentam, incluindo nos países mais ricos, a crise não afecta os banqueiros e os gestores das grandes empresas. Segundo a revista «Fortune», as fortunas de 357 multimilionários ultrapassam o PIB de vários países europeus desenvolvidos.
Nos EUA, na Alemanha, na França, na Itália os detentores do poder proclamam que a democracia política atingiu um patamar superior nas sociedades desenvolvidas do Ocidente. Mentem. A censura à moda antiga não existe. Mas foi substituída por um tipo de manipulação das consciências eficaz e perverso. Os factos e as notícias são seleccionados, apresentados, valorizados ou desvalorizados, mutilados e distorcidos, de acordo com as conveniências do grande capital. O objectivo é impedir os cidadãos de compreender os acontecimentos de que são testemunhas e o seu significado.
Os jornais e as cadeias de televisão nos EUA, na Europa, no Japão, na América Latina dedicam cada vez mais espaço ao «entretenimento» e menos a grandes problemas e lutas sociais e ao entendimento do movimento da Historia profunda.
Os temas impostos pelos editores e programadores – agentes mais ou menos conscientes do capital – são concursos alienantes, a violência em múltiplas frentes, a droga, o crime, o sexo, a subliteratura, o quotidiano do jet set, a vida amorosa de príncipes e estrelas, a apologia do sucesso material, as férias em lugares paradisíacos, etc.

Evitar que os cidadãos, formatados pela engrenagem do poder, pensem, é uma tarefa permanente dos media.
As crónicas de cinema, de televisao, a musica, a critica literária reflectem bem a atmosfera apodrecida do tipo de sociedade definida como civilizada e democrática por aqueles que, colocados na cúpula do sistema de poder, se propõem como aspiração suprema a multiplicar o capital.
Em Portugal surgiu como inovação grotesca um clube de pensadores; os debates, mesas redondas e entrevistas com dóceis comentadores, mascarados de «analistas», são insuportáveis pela ignorância, hipocrisia e mediocridade da quase totalidade desses serventuários do capital. Contra-revolucionários como Mario Soares, António Barreto, Medina Carreira, Júdice; formadores de opinião como Marcelo Rebelo de Sousa, um intoxicador de mentes influenciáveis que explica o presente e prevê o futuro como se fora o oráculo de Delfos; jornalistas his master voice, como Nuno Rogeiro e Teresa de Sousa; colunistas arrogantes que odeiam o povo português e a humanidade, como Vasco Pulido Valente, pontificam nos media imitando bruxos medievais, servindo o sistema em exercícios de verborreia que ofendem a inteligencia.
O Primeiro-ministro e o seu lugar-tenente Portas, exibindo posturas napoleónicas, pedem «sacrifícios» e compreensão aos trabalhadores enquanto, submissos, aplicam o projecto do grande capital e cumprem exigências do imperialismo.
Desde o inicio do primeiro governo Sócrates, o que restava da herança revolucionaria de Abril foi mais golpeado e destruído do que no quarto de século anterior.

Ao Portugal em crise exige- se o pagamento de uma factura enorme da crise maior em que se afunda o capitalismo.
Nos EUA, pólo hegemónico do sistema, o discurso do Presidente Obama, despojado das lantejoulas dos primeiros meses de governo, aparece agora como o de um político disposto a todas as concessões para permanecer na Casa Branca. A sua ultima capitulação perante o Congresso estilhaçou o que sobrava da máscara de humanista reformador. Para que o Partido Republicano permitisse aumentar de dois biliões de dólares o tecto de uma divida publica astronomica- já superior ao Produto Interno Bruto do país – aceitou manter intocáveis os privilégios indecorosos usufruídos por uma classe dominante que paga impostos ridículos e golpear duramente um serviço de saúde que já era um dos piores do mundo capitalista. A contrapartida da debilidade interior é uma agressividade crescente no exterior.
Centenas de instalações militares estadounidenses foram semeadas pela Ásia, Europa, América Latina e África.
Mas «a cruzada contra o terrorismo» não produziu os resultados esperados. As agressões americanas aos povos do Iraque e do Afeganistão promoveram o terrorismo em escala mundial em vez de o erradicar. Crimes monstruosos foram cometidos pela soldadesca americana no Iraque e no Afeganistão. O Congresso legalizou a tortura de prisioneiros. A «pacificação do Iraque», onde a resistência do povo à ocupação é uma realidade não passa de um slogan de propaganda. No Afeganistão, apesar da presença de 140 000 soldados dos EUA e da NATO, a guerra está perdida.
Os bombardeamentos de aldeias do noroeste do Paquistão por aviões sem piloto, comandados dos EUA por computadores, semeiam a morte e a destruição, provocando a indignação do povo daquele país.
O bombardeamento da Somália (onde a fome mata diariamente milhares de pessoas) por aviões da USAF, e de tribos do Iémen que lutam contra o despotismo medieval do presidente Saleh tornou-se rotineiro. Como sempre, Washington acusa as vítimas de ligações à Al Qaeda.
Na África, a instalação do AFRICOM, um exército americano permanente, e a agressão da NATO ao povo da Líbia confirmam a mundialização de uma a estratégia imperial.

O terrorismo de Estado emerge como componente fundamental da estratégia de poder dos EUA.

Obviamente, Washington e os seus aliados da União Europeia, tentam transformar o crime em virtude. Os patriotas que no Iraque, no Afeganistão, na Líbia resistem às agressões imperiais são qualificados de terroristas; os governos fantoches de Bagdad e Kabul estariam a encaminhar os povos iraquiano e afegão para a democracia e o progresso; o Irão, vítima de sanções, é ameaçado de destruição; o aliado neofascista israelense apresentado como uma democracia moderna.
A perversa falsificação da Historia é hoje um instrumento imprescindível ao funcionamento de uma estratégia de poder monstruosa que, essa sim, ameaça a Humanidade e a própria continuidade da vida na Terra.
O imperialismo acumula porem derrotas e os sintomas do agravamento da crise estrutural do capitalismo são inocultáveis.
O capitalismo, pela sua própria essência, não é humanizável. Terá de ser destruído. A única alternativa que desponta no horizonte é o socialismo. O desfecho pode tardar. Mas a resistência dos povos à engrenagem do capital que os oprime cresce na Ásia, na Europa, na América Latina, na África. Eles são o sujeito da História e a vitoria final será sua.

fonte: Vi o mundo

Conferência Municipal reforça pré-candidatura de Netinho de Paula

Ousar lutar, ousar vencer! Com esse lema foram iniciados neste sábado (27) os trabalhos da Conferência Municipal 2011 do PCdoB, no auditório da Unip (Universidade Paulista), unidade Vergueiro, em São Paulo. Durante o ato político, o auditório lotado consagrou a pré-candidatura do vereador Netinho de Paula a Prefeitura.
A conferência, que reuniu cerca de 500 participantes - entre militantes e importantes lideranças políticas do Estado e da Cidade, levou 313 delegados eleitos nas convenções de base e distritais. Durante todo o processo que antecede o evento municipal foram reunidos 6.260 militantes na base.
Wander Geraldo, presidente do Comitê Municipal, lembrou que o encontro deste ano tem um significado especial por ter reunido uma quantidade expressiva de militantes na base, o que demonstra a capacidade organizativa do partido, que pretende ampliar ainda mais. “Também reiteramos a pré-candidatura do Netinho de Paula a prefeito e vamos montar uma ampla chapa de vereadores na cidade de São Paulo”, declarou Wander Geraldo.
Para ele, os desafios para os próximos dois anos precisam ter como alicerce a manutenção da trajetória definida pelo Comitê Central de apoio ao governo Dilma , a construção de um novo projeto nacional de desenvolvimento e traduzir a linha política para a realidade específica da cidade de São Paulo.
O vereador Jamil Murad, pré-candidato à reeleição, ressaltou o acerto da orientação política do partido e conclamou a militância a continuar acumulando conquistas. Ele destaca o crescimento partidário em São Paulo e assinala os desafios: "Reforçar o governo Dilma para impulsionar as conquistas do povo brasileiro".
Ana Martins, importante liderança da Zona Leste, ex-vereadora, ex-deputada estadual e provável candidata a vereadora em 2012, lembrou da conferência como momento em que as discussões feitas na base ganham luz e forma. “Foi um amplo debate que fizemos sobre como manter o partido nas lutas de massa, na luta nacional para que tenhamos um novo projeto de desenvolvimento, garantindo que Dilma faça as reformas necessárias, principalmente a política, mas também a urbana, educacional, agrária, tributária e comunicação. Ao aprofundar essas reformas a ideia é que possamos caminhar cada vez mais próximos do socialismo”, afirmou Ana Martins. Ela também destacou a ampliação da base. “Seguimos rumo à ampliação de 20 distritais para as 31 (regiões da subprefeitura ). E vamos chegar lá”, reforçou Martins.
A Zona Leste, que tem cerca de 2,7 milhões de habitantes, tem ganhado força ao longo dos últimos anos. Em uma de suas bandeiras, a da moradia, a atuação da base foi de extrema importância. “Impedimos o depejo de mais de 40 mil famílias, que hoje conquistaram suas casas na região de Ermelino Matarazzo. Por isso, nossa força não pode ser subestimada”, ressaltou Ana Maria Paes de Andrade, da União Brasileira de Mulheres (UBM).

Ato político

Diversos nomes importantes do partido e de legendas aliadas discursaram durante o ato político. Entre eles, o deputado federal Aldo Rebelo, que reforçou a importância de candidaturas próprias. “Precisamos valorizar nossas candidaturas. É uma contribuição à luta do povo. Do contrário para que queremos um partido, se não for para disputar as eleições? Sem exclusivismo, sem sectarismo, sem negação das alianças. Mas com protagonismo. Esse é o sentido da nossa candidatura do companheiro Netinho de Paula. É o que nós podemos fazer de melhor para o nosso povo. E é isso que devemos: colocar uma liderança respeitada e querida por todos”, exclamou Rebelo.Pouco antes do ato, o vereador Netinho de Paula destacou o momento especial que o partido vive e a capacidade do conjunto de consolidar candidaturas de maneira unificada. “É um momento especial e histórico. O PCdoB sempre teve papel importante na capital, mas sempre como coadjuvante. O partido amadureceu, eu amadureci, e sentimos que é a nossa vez”, avaliou o vereador, que na campanha a senador recebeu mais de sete milhões de votos.
“Foi o negro mais votado na América Latina. E isso graças ao trabalho da militância. A entrada dele na prefeitura não será uma ousadia, mas sim um merecimento do povo de São Paulo”, exclamou a deputada estadual Lecy Brandão, que se orgulha de ser a segunda mulher negra na Assembleia Legislativa em toda a sua existência.
Entre as autoridades presentes estava o prefeito Gilberto Kassab que compôs a mesa diretora. “Vim trazer ao PCdoB o abraço da cidade de São Paulo”, disse .


Deborah Moreira, da redação do Vermelho

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Brasil virou réu internacional por violações de direitos humanos durante a ditadura

 Do R7.Texto: ..

Círculo no mapa mostra região da Guerrilha do Araguaia
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A Guerrilha do Araguaia foi um agrupamento de militantes contrários à ditadura militar que acreditavam que a revolução socialista só teria sucesso se acontecesse no interior rural do Brasil.
Os militantes, na maioria membros do PCdoB, escolheram a região no sul do Pará, nas divisas entre o Maranhão e Tocantins. A área, de aproximadamente 7.000 km², foi palco de treinamentos e ações dos militantes, que pegaram em armas e criaram um esquema paramilitar para realizar suas operações.
Entre 1972 e 1975, a Guerrilha do Araguaia foi alvo de uma grande ação do exército, que queriam reprimir e acabar com o movimento.

Durante as ações militares, os agentes de repressão da ditadura teriam cometido graves violações aos direitos humanos, como prisões ilegais e execuções de guerrilheiros e moradores locaism, condenados como “colaboradores”.
Os militares são acusados de sessões de tortura, como estupros e mutilações, além desaparecimento forçado de diversos militantes.


Confira também

OEA vai julgar Brasil por crimes da ditadura

..Estima-se que pelo menos 70 dos desaparecidos políticos no Brasil tenham sido mortos por militares durante as ações de repressão no Araguaia. Entre os que sobreviveram depois da ação militar, está o deputado federal José Genoino, que foi detido em 1972.

Congresso em Foco: internautas escolhem melhores parlamentares

Quatro parlamentares do PCdoB fazem parte da lista dos 25 finalistas do prêmio Congresso em Foco. Em sua sexta edição, o prêmio elege os deputados e senadores que mais se destacaram em suas atuações parlamentares. Nesta segunda-feira (22), começou a votação pela internet. O evento de premiação será realizado em Brasília no dia 7 de novembro. Na edição deste ano, somente na premiação final serão conhecidos os vencedores da votação na internet.

O objetivo do prêmio “é estimular a reflexão sobre a atuação de deputados e senadores e romper com o discurso conformista de que todos os políticos são iguais e de que os cidadãos pouco, ou nada, podem fazer para melhorar a qualidade da representação política no país”.

Assim como nas edições anteriores, a segunda e decisiva etapa de votação tem como base uma lista predefinida pelos jornalistas que acompanham o trabalho do Congresso. Ao todo, 267 jornalistas de 55 veículos votaram, por meio de duas urnas itinerantes, em processo fiscalizado pelo Sindicato dos Jornalistas de Brasília.
Todos os congressistas pré-selecionados pelos jornalistas serão premiados com diplomas, mas cabe aos internautas definir a colocação final dos parlamentares, incluindo aqueles que receberão os principais prêmios: os três deputados e os três senadores mais votados, aos quais serão entregues troféus, e os vencedores de cada uma das categorias especiais
Na internet, você pode votar em até cinco senadores e 10 deputados, ao participar da escolha dos melhores parlamentares do ano. E em apenas um nome na definição de seis categorias especiais: parlamentar de futuro (com menos de 45 anos); defesa da democracia e cidadania; promoção da saúde; defesa dos direitos do consumidor; defesa da segurança jurídica e da qualidade de vida e defesa dos municípios
Valorização do Parlamento



O prêmio foi criado em 2006 com o objetivo de valorizar o trabalho dos deputados federais e senadores que se destacam positivamente no cumprimento de suas obrigações durante o mandato, incentivando-os a desempenhar o papel que deles se espera. Por trás da iniciativa, há o desejo de ressaltar tanto a importância do Parlamento em uma democracia quanto a necessidade de os eleitores acompanharem de modo permanente a ação dos congressistas.
Conforme o regulamento do prêmio, a tarefa de definir os finalistas cabe aos jornalistas que cobrem o Congresso. Foram eles que escolheram os 25 melhores deputados e os 10 melhores senadores, além dos cinco nomes para cada uma das seis categorias especiais. Nas categorias de promoção da saúde e defesa da segurança jurídica, o número de finalistas acabou sendo maior porque houve empate entre os últimos classificados.



Veja a lista dos 25 parlamentares mais votados:

Chico Alencar (Psol-RJ)

Reguffe (PDT-DF)

Jean Wyllys (Psol-RJ)

Manuela D’Ávila (PCdoB-RS)

Aldo Rebelo (PCdoB-SP)

ACM Neto (DEM-BA)

Domingos Dutra (PT-MA)

Ivan Valente (Psol-SP)

Luiza Erundina (PSB-SP)

Romário (PSB-RJ)

Erika Kokay (PT-DF)

Cândido Vaccarezza

Marco Maia (PT-RS)

Miro Teixeira (PDT-RJ)

Jandira Feghali (PCdoB-RJ)

Delegado Protógenes (PCdoB-SP)

Dr. Rosinha (PT-PR)

Duarte Nogueira (PSDB-SP)

Vicentinho (PT-SP)

Alfredo Sirkis (PV-RJ)

Henrique Fontana (PT-RS)

Carlos Sampaio (PSDB-SP)

Mara Gabrilli (PSDB-SP)

Paulo Teixeira (PT-SP)

Roberto Freire (PPS-SP)



Fonte: Congresso em Foco

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Entenda a reforma econômica em Cuba

Saiba mais sobre as mudanças adotadas pelo regime cubano e suas consequências na vida da população





Foto: AFP


Mulher vende comida em sua casa em Caimito, Cuba (15/04)



Cuba está desvalorizando em cerca de 8% a sua moeda paralela, o peso conversível, utilizada principalmente por turistas e por companhias estrangeiras, como parte dos esforços para reavivar a sua economia.
A moeda agora passa a ter paridade com o dólar, mas seguirá valendo 24 pesos convencionais. O peso segue sendo a moeda de fato de Cuba e é a moeda usada para pagar os salários dos cubanos, ainda que muitos moradores já façam inúmeras transações em pesos conversíveis, dentro do sistema do país que utiliza simultaneamente as duas moedas.
A desvalorização, que é a primeira mudança no sistema de câmbio do país em seis anos, chega no momento em que o governo de Cuba está adotando medidas para reduzir o papel do Estado na economia e estimulando a iniciativa privada.
Em setembro do ano passado, foi anunciado que 1 milhão de funcionários públicos do país perderiam seus cargos, mas agora acredita-se que as demissões não ocorrerão tão rapidamente quanto se esperava de início.

Saiba mais sobre a reforma econômica em Cuba:

Que diferença fará a desvalorização da moeda?

Cuba ficará mais barata para os turistas, que representam uma importante fonte de renda para o país.

O peso conversível começou a circular em 1994 e foi atrelado ao dólar até 2005, quando seu valor foi ampliado para U$ 1,08. Nessa época, Cuba já havia proibido transações comerciais feitas em dólares, como reação ao endurecimento das sanções americanas.
A medida recém-anunciada traz o peso conversível de volta à sua taxa de câmbio original, mas tanto cubanos quanto turistas terão de seguir pagando uma comissão de 10% par transações feitas com a moeda.

Por que o governo sente que mudanças são necessárias?
Porque ele simplesmente não tem mais como arcar com o sistema antigo. A revolução cubana sempre foi financiada por alguma potência externa e o dinheiro internacional agora não está mais entrando.

Durante a Guerra Fria, foi a União Soviética que ofereceu petróleo barato para a ilha em troca de açúcar cubano, bem como créditos e empréstimos. Estima-se que Cuba ainda deva um total de US$ 20 bilhões ao que hoje em dia é a Rússia, por conta das benesses oferecidas na era soviética.
Após o colapso da União Soviética, em 1991, o então presidente Fidel Castro decretou um ''período especial'' de austeridade e permitiu uma modesta expansão de negócios individuais, como restaurantes e fazendas. No entanto, o controle estatal voltou a endurecer quando a China e a Venezuela se tornaram os novos benfeitores de Cuba.
Agora, Cuba voltou a estar sujeita às vontades dos dois países e os chineses estão pressionando o sucessor de Fidel Castro, seu irmão Raúl, a seguir seu caminho de reformas econômicas.

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Quais deverão ser as principais consequências das mudanças?



Se os cortes planejados forem adiante, um em cada cinco trabalhadores do país não será mais funcionário do governo. No momento, o governo emprega cerca de 85% da força de trabalho que atua no país.
Muitos seguirão fazendo o que fazem atualmente, mas o Estado não será mais o seu empregador. Motoristas de táxi, cabeleireiros e os envolvidos em atividades menores, por exemplo, passarão a ser autônomos e ganharão seu próprio sustento, em vez de depender do Estado. Outros serão estimulados a montar seus próprios negócios ou mudar de emprego.
Os cubanos também poderão alugar quartos para turistas, trabalhar como jardineiros autônomos, passar roupas ou atuar como engraxates. Eles poderão até mesmo empregar outros cubanos que não sejam seus parentes, algo que havia sido proibido desde a Revolução.
Raúl Castro disse que o objetivo é reduzir a folha de pagamento do governo, mas afirmou também que ''ninguém será abandonado ao relento''.

Que outras mudanças estão sendo adotadas?
O sistema inteiro passará a ser menos paternalista do que no passado. Subsídios que mantinham artificialmente baixos os preços de produtos alimentícios básicos, como açúcar e arroz, estão sendo retirados. Toda a caderneta de racionamento, que fornecia a cubanos o mínimo garantido de produtos básicos a preços baixos desde o embargo americano de 1962, deverá ser gradualmente eliminada.
Ao mesmo tempo, os novos recém-empregados serão sujeitos ao imposto de renda, que irá de 25% para os que ganham mais de 5 mil pesos (o equivalente a US$ 225, ou cerca de R$ 356) ao ano para 50%, para aqueles que faturam mais de 50 mil pesos anuais.

Isso representa o fim do socialismo em Cuba?
Não. Desde que Fidel deixou de comandar o país, em fevereiro de 2008, analistas vinham prevendo que Raúl Castro iria introduzir reformas mais profundas.
Mas, ao que parece, elas não irão além de um certo ponto. O presidente descartou mudanças estruturais radicais e quer que o Estado mantenha o seu papel de principal planejador econômico do país – embora, na prática, alguns poderes deixem de estar nas mãos do governo.
Os cubanos não podem mais esperar o mesmo nível de auxílio que dura a vida toda e terão de se tornar mais autosuficientes, mas o país vai permanecer vivendo sob um regime de partido único.
De fato, a própria data de realização do congresso mostra o quanto a Revolução Cubana é, na maneira de pensar de Raúl Castro, um tema central na vida do país. O encontro do partido teve início no dia em que completou-se 50 anos da batalha da Baía dos Porcos, evento emblemático na história do país, quando exilados cubanos apoiados pelos Estados Unidos foram derrotados em uma tentativa de invadir a ilha e derrubar o regime comunista em vigor no país.



Com BBC
matéria retirada do site:

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