segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Quem ainda segue o que diz Bento 16?

Com todo respeito aos fiéis seguidores da Igreja Católica Apostólica Romana, entre os quais me incluo, mas não dá para ficar calado diante das últimas manifestações do papa Bento 16 sobre o que podemos ou não fazer nas nossas vidas. No meio do bestialógico publicado ou levado ao ar neste final de semana sobre as declarações dadas num livro-entrevista, como se alguém ainda estivesse interessado em ouvir o que pensa e diz este papa, salva-se a carta do leitor Renato Khair, publicada na Folha desta segunda-feira:
“Se o papa Bento 16 e a Igreja Católica são a favor ou contra o uso da camisinha (ou do aborto ou da união entre pessoas do mesmo sexo) é absolutamente irrelevante e não deveria fazer a menor diferença”.
É o mesmo que penso a respeito deste assunto, como se a palavra do papa continuasse sendo lei a ser obedecida cegamente por todos os católicos. Seus novos “mandamentos” sobre o uso da camisinha são de tal forma fora de tempo e de lugar, de propósito e de sentido, que o sumo pontífice mereceria uma advertência dos editorialistas do Estadão, como já aconteceu em outros tempos, quando a Igreja Católica defendia os perseguidos pelo regime militar.
Qual o efeito prático de tanto barulho em torno da manifestação papal sobre o uso de camisinhas? Vai mudar alguma coisa? Já posso imaginar os sindicatos de prostitutas em todo o mundo convocando assembléias extraordinárias. Gigolôs em polvorosa. Farmácias e camelôs providenciando reforço nos estoques de preservativos e indústrias comprando novos equipamentos para aumentar a produção.
Depois da sua extemporânea e infeliz intromissão na recente eleição presidencial brasileira, em que ressuscitou a questão do aborto, já estaria na hora de alguém mais próximo ao papa recomendar-lhe um bom repouso, antes de voltar a se manifestar sobre o uso de preservativos por prostitutas, o que obrigou o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, a sair dos seus cuidados e vir a público no final de semana para “explicar” o que Bento 16 queria mesmo dizer.
“No raciocínio do papa, está claro que não se trata de uma mudança revolucionária”, mas de uma “visão compreensiva”, para levar uma humanidade “culturalmente muito pobre rumo a um exercício mais humano da sexualidade”, disse Lombardi, em nota distribuída pelo Vaticano. Ah, bom…
Sempre me pergunto o que padres, bispos e papas entendem deste assunto, já que estão condenados ao celibato eterno, a ponto de dar lições de moral a nós pecadores, ainda mais depois das reiteradas denúncias da prática de pedofilia envolvendo religiosos que agora vêm a público. Não seria mais razoável cuidar primeiro do seu próprio quintal?
No livro-entrevista publicado pelo jornalista alemão Peter Seewald, o papa disse que não ficou “totalmente surpreso” com os escândalos dos padres pedófilos, mas que a repercussão do caso provocou-lhe “um choque enorme”.
Menos mal que Bento 16, nesta mesma entrevista, tenha questionado a infabilidade papal _ “já que um pontífice também erra” _ como ele mesmo tem feito questão de provar desde que assumiu o trono de Pedro.
“Obviamente, o papa pode se equivocar. Ser papa não significa se considerar um soberano cheio de glória, mas alguém que dá testemunho do Cristo crucificado”, afirmou ainda o papa alemão. Aos 83 anos, ele admite que “as forças vão diminuindo”, o que sugere aplicar a ele o mesmo ”silêncio obsequioso” que recomendou ao frade franciscano Leonardo Boff, meu bom e velho amigo, antes de expulsá-lo da igreja.
Diante da contínua perda de fiéis para outras denominações religiosas, seria de bom senso recomendar ao chefe da Igreja Católica, que disse não pensar em renúncia, para ocupar seu tempo mais com o seu público interno para saber o que acontece nas sacristias e menos em dar lições de moral ao rebanho.

Como bem diz o leitor Renato Khair:
“É realmente espantoso que, em pleno século 21, milhões de pessoas ainda abram mão da sua liberdade de escolha, de sua racionalidade, de suas convicções íntimas e aceitem que alguma suposta autoridade (papa, igreja, presidente, general) lhes diga o que é certo ou errado e como devem viver as suas próprias vidas”.


Autor: Ricardo Kotscho


Matéria retirada página ig

Paulista, paulistano e são-paulino, Ricardo Kotscho, 62, é repórter. Jornalista desde 1964, já trabalhou em praticamente todos os principais veículos da imprensa brasileira (jornais, revistas e redes de TV), nas funções de repórter, editor, chefe de reportagem e diretor de redação. Foi correspondente na Europa nos anos 1970 e exerceu o cargo de Secretário de Imprensa e Divulgação da Presidência da República no governo Luiz Inácio Lula da Silva, no período 2003-2004. Ganhou os premios Esso, Herzog, Carlito Maia e Cláudio Abramo, entre outros. Em 2008, foi um dos cinco jornalistas brasileiros contemplados com o Troféu Especial de Imprensa da ONU. Tem 19 livros publicados _ entre eles, “Do Golpe ao Planalto _ Uma vida de Repórter” (Companhia das Letras) e “A Prática da Reportagem” (Ática). Casado com a mesma mulher, a Mara, há 40 anos, tem duas filhas muito bonitas, três netos maravilhosos e um sítio em Porangaba, onde já plantou muitas árvores.







domingo, 7 de novembro de 2010

Aconteceu em 7 de novembro

Aconteceu em  7 de novembro




1917 - Dia da Revolução de Outubro

(25/10 pelo antigo calendário russo) Insurreição operária e camponesa na Rússia, sob a direção dos bolcheviques de Lênin. Começa a 1ª experiência de construção do socialismo no mundo.
Outubro, escultura  de A. Baladin  1825:

Surge O Diário de Pernambuco, PE.
1831:

Lei que proíbe o tráfico de escravos, totalmente desrespeitada.

1837:

Proclamada a República Bahiense, em Salvador. Início da Sabinada.

1848:

Começa a fase armada da Revolução Praieira em PE.

1912:

4º (?) Congresso Operário Brasileiro, 187 delegados, no Rio. Com apoio oficial, é tido como amarelo (pelego).
1918:

Insurreição de operários e soldados alemães em Munique.

1921:

Fundado o Grupo Comunista do Rio de Janeiro.
1929:

Reprimido a tiros no Rio o comício do 12º aniversário da Revolução de 1917.


1932:
Após amplo movimento de opinião pública, a Suprema Corte dos EUA inocenta os 9 de Scottsboro, jovens negros acusados de estuprar 2 mulheres brancas em 30.

Os "rapazes  de Scottsboro"
1989:

Greve nacional dos ferroviários.
1992:

Nos 75 anos da Revolução de 17, 50 mil saem às ruas em Moscou pela renúncia de Ieltsin e a volta do socialismo.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Dilma lança metas sociais e alerta para o perigo do salto alto

A candidata à Presidência da República, Dilma Rousseff, pediu aos militantes mais cautela e que evite nesta reta final do segundo turno o clima de já ganhou. Ela fez um alerta para o perigo do “salto alto”. “Isso não dá certo, a gente fica confortável demais, orgulhoso demais e sobe demais no salto alto. Então, vamos colocar um salto bem baixinho e disputar até dia 31 voto por voto”, disse a presidenciável nesta quarta (27), em Brasília, durante o lançamento das 13 metas para a área social.
Para ela, é preciso realizar intensa mobilização até o dia da eleição e garantir a vitória no segundo turno. Pesquisa divulgada nesta quarta (27) pela CNT/Sensus dá uma vantagem de 17% favorável a ex-ministra contra o tucano José Serra.
Durante o lançamento das metas sociais, no Teatro dos Bancários, Dilma disse que o principal compromisso é a erradicação da miséria no país. Segundo ela, essa será a principal meta da sua gestão, porque um país só pode comemorar crescimento econômico quando muda para melhor a vida das pessoas.

"Para nós a questão social não é adereço de mão nem um anexo do programa de governo. Essa é a nossa diferença histórica", afirmou a candidata ao se comprometer a tirar 21,5 milhões da pobreza. Na proposta para desenvolvimento social de Dilma promete, entre outras coisas, estender o Bolsa Família mesmo para as pessoas que não têm filhos.
Programa do adversário

A presidenciável também criticou o programa de seu adversário que, segundo ela, não dá prioridade à questão do desenvolvimento social. "No programa do adversário essa questão está no anexo", disse.
Dilma salientou que a diferença entre o projeto do governo Lula, que ela dará continuidade, e dos tucanos de José Serra é que a questão social define as prioridades da gestão e não apenas a economia é o carro chefe.
Por isso, segundo ela, programas como o Minha Casa, Minha Vida foram lançados porque o governo tem olhar social.
“Investimos em mais moradias e lares para população e isso gera empregos para população. Ou seja, é um programa social com conseqüências econômicas. É dessa forma que vemos o país. Temos que voltar a ter valores, ao invés de dar importância às questões mercantis, dar importância só aos números, temos que focar nas pessoas. Eu vou continuar fazendo isso”, discursou.



De Brasília com informações do site de campanha da Dilma

Mesmo sem Nordeste, Dilma se elegeria presidente - Portal Vermelho

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